sábado, outubro 15, 2005

Last Breath - O desabafo


Cartaz "falhado" para o Festival Tejo
Nesta altura, passada que está uma semana após a minha saída, sinto-me mais à vontade para fazer uma espécie de desabafo sobre Estive nos Alone desde o dia 10 de Junho de 2003, onde pela primeira vez estiveram três cabeças duras que não desistiram nunca de sonhar: o Pedro, o Xarli e eu (passo a redundância). A partir desse dia senti que aquelas musiquinhas que o Pedro me mostrava na sua viola acústica não eram só casmurrice dele. Havia (e continua a haver), no Pedro elevadas doses de felling, apesar de na maior parte das vezes nem saber que acorde está a tocar. Lembro-me que a primeira música que começamos a trabalhar foi o Soldier (with a stick). Rapidamente os ensaios deixaram de ser um encontro fortuito de amigos que tocam umas coisas, para passarem a ser um pequeno laboratório onde em cada sessão uma nova experiência musical acabava por resultar. A combinação era quase perfeita: um excelente vocalista com uma veia rara para compôr canções orelhudas, mas também com uma carga emocional muito profunda, um teclista que é sem dúvida uma das pessoas com as quais me deu mais prazer tocar e conviver, e que não sendo um músico virtuoso tem uma criatividade e um talento incríveis. Ficava a faltar uma peça para compôr o edíficio. O excêntrico baixista que viria a entrar em Agosto e que solidificou as melodias compostas pelo seu irmão.
Rapidamente concluímos 4 músicas que apresentámos nos 2 primeiros concertos da banda. Outras foram compostas e deixadas de parte. Foi a única banda em que posso dizer que deitámos ao lixo, sem falsa modéstia, músicas com um potencial imenso. Algumas chegámos mesmo a tocar ao vivo, para depois permanecerem apenas uma vaga memória que era lembrada a espaços nos intervalos dos ensaios. Uma chegou a ficar registada na primeira demo da banda para nunca mais ser depois lembrada nos concertos ao vivo. Esta era uma situação a que nos podíamos dar ao luxo: menosprezar composições em favor de outras.
Os primeiros concertos serviram para atestar as verdadeiras potencialidades da banda, e se no primeiro as coisas correram muito bem, no segundo, algum excesso de confiança e um som demasiado mau pra ser verdade, pregaram uma partida à banda.
Descontracção num ensaio antes do Tejo
A vida continuou e no dia de anos do nosso teclista ficámos a uma pequena margem de vencer o concurso de música moderna da Azambuja. Foi o melhor período da banda. Ensaiámos tão pouco e quase ganhámos. Foi uma verdadeira lição para darmos cada vez mais valor ao trabalho nos ensaios. Ganhámos mais brio. Tocámos nas Caldas a convite da organização do Caldas Late Night. Tivemos outros convites para festivais e pequenos concertos em bares (olá amigos Qwentin). Gravámos uma demo. O amigo Xarli saiu por razões pessoais. Entrou um outro grande amigo meu: Karmona. Qualidades diferentes do Xarli. Um teclista mais low-profile, mas muito rigoroso, que percebeu desde o início a importância das composições do antecessor, modificando-as apenas quando achava estritamente necessário. De resto, os ambientes introduzidos pelo Karmona nas novas composições são de uma grande subtileza mas suportam a estrutura frágil da guitarra do Pedro. Onde o Xarli brincava (elogio) nos seus devaneios característicos, o Karmona seguia a prudência, transformando as melodias do Pedro num todo consistente.
A adaptação do Karmona foi-se construindo em época lectiva com pouco espaço de manobra para ensaiar.
2005 começou bem com um concerto de apoio às vítimas do tsunami asiático. Mais uma vez o palco partilhado com os conterrâneos Qwentin.
"Atentado ao design" eheh, Cartaz do Tejo
Questões exteriores à música também nos preocupavam. Procurei sempre dar uma resposta adequada a questões ligadas à promoção dos Alone Among Thousands. Falei com colegas e amigos no sentido de, em conjunto começarmos a trabalhar na imagem da banda. Uma imagem à partida simples e descontraída condicente com a própria música.
Voltámos ao AZB e ganhámos, com mérito. Não senti a mesma sensação do ano anterior. A primeira vez (apesar de não termos ganho) tem outro "gostinho". Houve mais espírito de banda(s) em 2004. Pra mim esse é o verdadeiro prazer da música. Não vale a pena tocar se o espírito não existe. O rock, com todas as variantes que se conhecem, é isso mesmo, puro espírito. As pequenas histórias por detrás dos bastidores (muito pequenos até agora, com excepção do Tejo) são também a força da música, aí nascem muitas vezes os mitos com as diferentes grandezas que se conhecem.
Lembro-me de há um ano e meio estar a falar com o Crespo dos Qwentin no dia antes da final do AZB e dizer-lhe: "Espero que amanhã por esta hora te esteja a dar um abraço, mas que nós é que passemos ao Tejo". Acabou por acontecer o contrário, mas este e outros momentos como este é que dão beleza à vida de um músico.
Voltámos aos Caldas. As opiniões dividiram-se: houve quem tivesse gostado muito (o som tava excelente-obrigado Benfas, Guru, Ricardo, Apache, Rui, César, etc.) e quem não tivesse gostado nada. Eu fui um dos que tomou a segunda opinião.
Para o Tejo tivemos um trio de ensaios muito bem dispostos com o amigo Nélson Rodrigues (Guru). O concerto do dia 24 de Julho no Palco Blitz foi, na minha opinião mediano. Começou muito bem com duas músicas novas: ID e Subotex e um engano na terceira faixa, Falling Again esmoreceu o restante concerto. Ainda assim o balanço foi positivo. Muito convívio e confraternização.
O silêncio instalou-se até 26 de Agosto, data em que tocámos em Gondomar e onde tivémos excelentes críticas por parte da organização. Senti a banda a renascer.
Setembro trouxe nova demo e algum desleixo. O amigo Rui Chaves gravou dois temas que ainda serão finalizados. Saí depois de duas reuniões de banda fracassadas.
Saí com a convicção (ganda político eheheh) de ter feito o que pude para levar a banda a um bom futuro. Não o consegui, mas também não me sinto frustrado por isso. Sei que mais não era possível. Sinto orgulho por ter sido o primeiro a acreditar nas capacidades de alguém que se encontrava na altura completamente desacreditado. Sinto orgulho por, do nada termos conseguido pisar um palco de um festival de nome nacional no espaço de 2 anos. E por fim sinto orgulho em ter tocado com pessoas, com uma capacidade musical extraordinária (toda a banda com o Guru) e com pessoas que como eu partilharam a mesma vontade de ver esta banda no sítio onde merecia estar, em especial os amigos Xarli e Karmona.
Este Post poderá ser reeditado.

2 Comments:

Blogger Lara said...

És lindo e BRILHANTE! Continua a acreditar como sempre te vi.. existem mtos k pensam em conquistar um lugar ao sol, o teu está ganho enquanto o sentires só por ser algo k vibra em ti naturalmente. Lembra, mesmo qdo parece não ter valor.. a dedicação nunca é em vão.
Beijos da mana*

4:37 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Olha eu não deixo, não quero sber, não deixo e não deixo e faço birra e beiçinho!!!! olha, não sei que te diga.... até me dá cá um aperto que nem sei.. compreendo o teu lado mas tenho MUITA pena... a minha esperança é que deixes passar um bocado de tempo... o tempo necessário de que te falei, para que as coisas se reorganizem, e que reconsideres... porque eu sei que tens saudades e sei que isto te toca... que te dá imenso prazer, apesar das desorganizações... espero mesmo que isto não passe de uma fase má e que daqui a algum tempo Tudo esteja muito melhor, o pessoal mais concentrado e responsável. beijoca grande

7:17 p.m.  

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